Tradução do artigo em francês de Jacques Rouchaud
Neste sábado, 31 de outubro, jovens, professores e coletes amarelos voltam a sair à rua. Estão anunciadas quase 600 concentrações em França. Os políticos tremem: 70 000 polícias e gendarmes, cortejos afastados dos centros das cidades. Protegem-se as montras, não a juventude.
E, entretanto, o que se prepara lá em cima?
Christine Lagarde deixa o Banco Central Europeu em fevereiro, antes do fim do seu mandato, para «falar livremente». Jura que não é candidata. Mas quem pode acreditar no acaso? Simples estratégia politiqueira: porque não um lugar de primeira-ministra, por exemplo sob um François Baroin, o presidente da câmara de Troyes, que deixa pairar a dúvida sobre a sua candidatura, ou até a presidência para ela própria? Em França, conhecemos a cantiga: os mesmos círculos, as mesmas redes que passam o poder entre si. Depois do rei, a imperatriz? Já não estamos numa república, nem sequer numa monarquia: arriscamos o império, e isso é pior. Os príncipes da República sairão mais fortes e gastarão ainda mais. Com o vosso dinheiro.
E aconteça o que acontecer, nada mudará. Essa gente vive noutro mundo, com um nível de vida que vocês nunca conhecerão. A sua fama nas finanças não tranquiliza ninguém: as finanças internacionais nunca reduziram a dívida dos povos, fizeram-na crescer. Com eles, a dívida da França só irá piorar.
Christine Lagarde fez grande parte da sua carreira nos Estados Unidos, à frente de um grande escritório de advogados americano em Chicago e depois do Fundo Monetário Internacional em Washington. Receio que ela sirva primeiro os interesses americanos, e uma política que enfraquece a Europa, e a França em particular, em vez de as defender.
Estudantes, alunos do secundário, reformados, camponeses, artesãos: é agora que é preciso aguentar. As medidas que vos atiram não passam de remendos para que vocês parem. Manifestem-se pacificamente, em grande número, sem destruição, para que ninguém possa sujar a vossa raiva.
Não se esqueçam: em Maio de 68, foi em Nantes, na fábrica da Sud-Aviation de Bouguenais, que foi ocupada a primeira fábrica, e que partiu a greve geral. Ainda hoje, o novo movimento de Nantes será o ponto de partida de uma nova era de qualidade para todos os povos.
A demosciocracia propõe o inverso do império: cidadãos designados em cada território, a partir dos 14 anos, duas Câmaras, a Câmara do Povo e a Câmara das Corporações, nem partido, nem príncipe, nem imperatriz.
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